L E A N D R O . D E M O R I

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Derrota

Pelo segundo ano A Nova Corja é indicada para o The Bobs, a premiação mundial de blogs feita pela TV alemã Deutsche Welle. Pela segunda vez nós perdemos porque brazilêru não desisti nunca. Alguém veio dizer que, veja bem, foram 13557 blogs sugeridos e que nós, afinal, somos o quinto melhor blog em língua portuguesa no mundo.

[pausa para mergulho na realidade: língua portuguesa e aramaico = ninguém fala]

Muitos leitores da Corja tinham esperança, acreditavam em uma vitória. Ter esperança é coisa de miss. Ter esperança é pra debutantes. Livro: “O Alquimista”. Sonho: “Um mundo sem guerras”. Prefiro desacreditar e me surpreender vez por outra. Costuma funcionar muito bem.

Voltei de viagem, vi praias, vi neve e peguei trens além da conta – estou morto. Já é quase sexta-feira aqui na Pizza. Vou dormir.


Da impossibilidade

Em dois dias seguidos fizemos uma viagem sem fim pela Itália. Saímos da região de Marche para conhecer Assis e Perugia, na vizinha Úmbria. Depois rumamos para Veneza para aproveitar o baixo preço do ônibus oferecido por uma excursão de estudantes. A experiência de andar (e se perder) em Veneza é indescritível. Saindo das ruas mais movimentadas é fácil restar sozinho em um labirinto de ruelas plenas de silêncio – não há carros na cidade, por certo. Com um pouco de imaginação dá para respirar o mesmo ar de séculos passados, quando a cidade era a grande potência do mundo de cá. Nas ruas mais movimentadas há somente o som dos passos e o vozerio de línguas desencontradas. Nas calles mais longínquas, o absoluto ninguém.

(…)

Conheci um chinês no ônibus, Adam. Perguntou meu nome e não entendendeu nada. Pediu para que eu o escrevesse em uma folha de papel: “Leandro”. Não conseguia pronunciar a palavra de forma alguma antes que eu separasse as sílabas escrevendo “Le an dro”. “Ah, Lee and Ro!”. Adam logo me batizou de Lee, um nome popular pelo oriente, crente que eu realmente me chamasse Lee and Ro, um ser indissociável como Sandy and Jr., Bruno and Marrone, Chitãozinho and Xororó.

(…)

Adam não dormiu no ônibus, ficou acordado tentando conversar (em inglês) por dez horas. Puxava papo com qualquer um que lhe olhasse, implorava por um cruzamento visual de quem quer que fosse. Adam tem medo de dormir em viagens. Há alguns anos, enquanto dormia, o carro que seu pai dirigia capotou e ambos quase morreram. Adam não se recorda de nada, de momentos antes do acidente, de dias depois, nada. O chinês Adam não dorme porque quer se lembrar.

(…)

Amanhã devo ir a Urbino e depois andar um pouco mais ao norte.

(…)

Na sexta posto algumas fotos de tudo, caso não haja a impossibilidade.