Ad exstirpanda
Chegamos a Assis em uma manhã fria e ensolarada de sábado. A cidade, como muitas na Itália, fica no topo de uma montanha, protegida por muros altos que serviam para conter invasões. Até chegar à basílica onde está enterrado São Francisco de Assis é preciso percorrer centenas de metros por ruelas medievais nas quais se perder pode fazer parte da visita. Não sou um cara propriamente crente na divindade – não estava lá muito animado, apesar da beleza local.
No meio do caminho passamos pela porta de um antigo palácio ducal que anunciava a exposição de instrumentos de tortura usados durante a avançada Idade Média. Ninguém quis pagar para ver, deixei o grupo de quatro pessoas seguirem sem mim até o túmulo de Assis e entrei. Não havia viva alma na exposição àquela hora da manhã, eu estava sozinho em um prédio do século XI com instrumentos atemorizantes que, possivelmente, tinham a mesma idade daquelas paredes, portas, maçanetas e pisos de tijolos de barro escuro.
Foi estranho.
As fotos têm qualidade ruim por causa da fraca luz ambiente.
A humanidade sempre pode ser pior do que imaginamos.















