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Itália, retrato de uma era

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Generatore automatico di proclami di Berlusconi

Fiz minha maior descoberta da internet italiana há 10 minutos, quando encontrei o “Gerador automático de declarações do Berlusconi” no blog Metilparaben, espécie de Nova Corja daqui da Bota. A cada F5 na página, frases novas. Impossível não colar algumas absolutamente mortais junto com o fumetto de Marco Martellini sobre a evolução da espécie na península.linvoluzione-della-specie

“Sono assolutamente il più grande perito industriale che si ricordi nell’area baltica dalla scoperta della penicillina. Chi lo nega è un figlio di mignotta senza timor di Dio al soldo delle lobby gay.”

“Sono a detta di tutti il più grande arrotolatore di sigari che abbia mai bazzicato nel Tavoliere delle Puglie dall’inizio dell’era industriale. Chi lo nega è un parassita senza spina dorsale al soldo dei terroristi.”

“Sono palesemente il più grande guidatore di gommone che abbia mai bazzicato a Paperopoli dallo scudetto della Sampdoria. Chi lo nega è un illiberale senza pudore al soldo dei trotzkisti.”

“Sono ovviamente il più grande bevitore di chinotto che abbia mai operato alle terme di Caracalla dall’uscita del primo numero di Famiglia Cristiana. Chi lo nega è un agitatore senza spina dorsale al soldo della mafia.”

“Sono certamente il più grande intonacatore di trulli che abbia mai messo piede su internet dalla nascita di San Giovanni Battista. Chi lo nega è un catastrofista senza inibizioni al soldo del KGB.”

“Sono palesemente il più grande levigatore di saponette che si ricordi nella striscia di Gaza dal Congresso di Vienna. Chi lo nega è un agitatore senza scrupoli al soldo delle sinistre.”


Francamente

Acabo a leitura diária de jornais e vejo que The Times e The Independent engrossaram o coro do La Repubblica, que pede a cabeça de Silvio Berlusconi. Inúmeros processos (alguns, inclusive, por ligações mafiosas e suborno de testemunhas) não foram suficientes para abalar o premier, que deve cair mesmo por conta dos escândalos sexuais dos últimos meses.

Os jornais não poupam ninguém. O The Independet, por exemplo, cita até mesmo a ministra Mara Carfagna, vedete da TV antes de entrar no mundo da política — mas que nada tem a ver com os acontecimentos que podem depor Berlusconi. Questionam o fato de ela ter entrado no governo usando como artifício a beleza.

Carfagna dirige o contestado Dipartimento per la Pari Opportunità, também conhecido como Ministério do Bem-Estar Social, e cairia junto com Silvio.

Sinceramente?

Olhem bem para esta foto:

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Não sei quanto a vocês, mas meu bem-estar social melhora consideravelmente sempre que a vejo.

É um absurdo demitir uma pessoa competente como essa.


Moda verão

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Noemi Letizia – todos os direitos (p)reservados.


A realidade é insuperável

A visita de Muammar Gheddafi à Itália tem tons tão rocambolescos que chega quase a ser a negação da realidade. Ao contrário, é a super-realidade.

A começar pelas dúvidas da imprensa local sobre como chamar aquela estranha figura vestida como um fã de Star Trek. General? Presidente? Primeiro ministro? De fato, Muammar Gheddafi não tem uma designação no governo do país que comanda, a Líbia. Por lá, ele é conhecido como “Guia da Revolução” – termo que, por motivos óbvios, não vem sendo usado por aqui.

A sucessão de acontecimentos super-reais começou logo no desembarque. Berlusconi, com torcicolo, aparece em quase todas as fotos na mesma posição, ombros duros, pescoço estirado e uma cara de quase dor.

Na imagem de boas-vindas, Gheddafi, em trajes militares, trouxe pendurada no peito uma foto nada discreta, em preto-e-branco. A foto mostrava a prisão de Omar al Muktar, herói líbico anti-italiano conhecido como “Leão do Deserto”, capturado pelas forças militares fascistas na Líbia em 1931, durante a ocupação do país pela Itália.

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A foto não veio só. Atrás do Guia da Revolução, um senhor de idade avançada e trajes típicos era reverenciado pela comitiva líbica: trata-se de Mohamed Omar al Muktar, neto e último descendente do Leão do Deserto. Em seu discurso, no entanto, Gheddafi fez questão de ressaltar que a Itália colonial ficou no passado, e que a foto e a visita eram para “comemorar” as relações entre os dois países. Estranho modo.

É a primeira vez que o Guia da Líbia vem à Itália desde que assumiu o governo, após derrubar o rei Idris I, há 40 anos. Isso não significa que ele seja um desinformado. Hoje mesmo, sem perder tempo, Gheddafi pediu ao premier italiano um encontro com mulheres. Foi no cara certo.

Pra fechar o dia, o líder líbico irá dormir em uma tenda beduína, montada nos jardins de uma mansão do século 17. Questão de manter as tradições.

Ah, sim: Gheddafi veio visitar empresários e discutir imigração ilegal com Berlusconi. A Líbia é a principal rota de saída dos africanos que buscam a Europa em balsas pelo Mediterrâneo – todos desembarcam ilegalmente na Itália. Os dois países já têm acordos de cooperação nesse campo. Não funcionam.


Sua vida vale menos que um discurso

Certas profissões têm a capacidade inerente de lhe tirar a alma, é preciso ser muito cuidadoso para não se tornar um bloco de gelo. Falo especialmente do jornalismo, a que conheço melhor. São frequentes as reclamações de colegas por não sentirem mais a dor alheia. Manter-se humano é um exercício diário.

Consegui fugir desse lado robotizante (e até sarcástico) das redações. Foi uma escolha. Não que eu seja sensível ao ponto de não poder, por exemplo, ver fotos de vítimas de homicídios – comuns em um de meus antigos locais de trabalho –, mas certas coisas ainda me dão aquele nó na garganta. Gosto de me sentir vivo.

A morte de Eluana Englaro, ontem, me trouxe tristeza por lembrar de modo tão claro que a vida pode ser desligada. A lei italiana não permite a eutanásia, mas garante a qualquer paciente o direito de recusar tratamento médico. No caso de Eluana, o pedido foi feito pela família ainda nos anos 90 e, ao passar por todas as instâncias legais, acatado. Depois de 17 anos em coma Eluana podia, enfim, morrer.

É estúpido pensar na indignidade de um fim por inanição. Na cama, imóvel, depois de ter a alimentação cortada, Eluana levou quatro dias para morrer. Partiu em silêncio, talvez sofrendo sem poder denunciar a sua dor, como se parassem de regar uma planta. Seu estado real de saúde ainda é um mistério, a imprensa italiana chegou a divulgar que ela não respirava com ajuda de aparelhos, não corria risco de morte, tinha até mesmo ciclos menstruais. Sem comida foi murchando, se apagando aos poucos.

Os acontecimentos políticos que cercaram sua morte mostram mais uma vez que não há limites para a demência. As atitudes de Berlusconi foram além da conta mesmo para os italianos que o avaliam mais como um personagem sem graça de Benigni do que como um estadista. O premier tentou aprovar um decreto-lei de última hora para impedir a morte. Queria passar por cima da Constituição e dos tribunais e foi barrado pelo presidente Giorgio Napolitano. A própria Igreja, obviamente contra a suspensão da alimentação, pediu que “deus perdoasse os envolvidos, mas agora basta de polêmica”. O combate de Napolitano e da Igreja é contra o oportunismo de cena. Para Berlusconi, quem se importa?, sua vida vale menos que 30 segundos no telejornal.

A Itália tem problemas sérios com a imigração ilegal, está ladeira abaixo em termos de crescimento econômico, tem previsões tétricas de PIB para este ano, mas o primeiro ministro fareja os embates, se move no solo arenoso da política como uma planta rasteira que busca os fachos de luz, vive de repercussões e holofotes, a maquiagem e as luzes da ribalta são essenciais para sua fotossíntese neopopulista.

Berlusconi é o pai que se vende sempre como o tradicional protetor do povo (seus filhos), mas que muitas vezes não dá tudo o que esses mesmos filhos pedem. Neste caso as opiniões estavam divididas, mas por seu faro polemicista o premier “lutaria pela vida” – eis o motivo “nobre”, afinal. É o papel de um pai que tenta aprovar um decreto-lei para impedir a morte de um filho, mesmo que outros filhos digam “basta ao sofrimento da família, são 17 anos em estado vegetativo”. É como o genitor que diz: “isso aqui parece bom, mas EU sei que não é, e EU faço isso pelo teu próprio bem”. No fim, o que importa é estar em evidência. Para Berlusconi, “the show must go on”, mesmo que o herói morra no final.


Pesquisa de opinião

Ainda repercute por aqui a frase de Berlusconi sobre estupros, dita no domingo. Segundo o chefe supremo da Gesticulândia, “estupros vão continuar a acontecer enquanto não houver tantos soldados quanto meninas bonitas na cidade”. Berlusca estava sendo questionado sobre a possibilidade de enviar tropas para conter a onda de violência sexual na cidade de Sardinia.

Este blog fez uma rápida pesquisa de opinião pública ontem e constatou que, DESTA VEZ, a maioria dos italianos reprova a opinião do Premier. Nove entre dez gringos machos preferem que a quantidade de mulheres bonitas se mantenha superior a de soldados – e Berlusconi que dê outro jeito para acabar com a violência.

* * *

A AMPLA PESQUISA de opinião do blog ainda abordou a polêmica questão da venda da Alitalia para a Air France. Para a maioria dos italianos, não importa que a dona da companhia seja estrangeira, o importante mesmo é que sejam mantidas as tradições como essa:

Digo, essa:

 

Quer dizer:


Feliz 2009


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