L E A N D R O . D E M O R I

Gli Stati Uniti

Antes tarde

Vai o .pdf da reportagem que fiz para a revista Galileu sobre as relações de Barack Obama com a internet.


Obameter

O site PolitiFatc se dispôs a acompanhar a execução (ou não) das promessas que Barack Obama fez durante a campanha. Não tenho (mesmo) tempo para olhar uma por uma e ver se são, de fato, promessas. Mas vale manter os olhos no Obameter.


We can´t

Em um excelente artigo, a revista Wired questiona a capacidade de Barack Obama em dar um reboot na Casa Branca em relação ao uso de novas tecnologias. Logo na abertura, Evan Ratliff conta a história do vídeo de Obama no YouTube, que foi para a rede em novembro, menos de duas semanas depois da vitória eleitoral. Não era possível fazer comentários sobre o vídeo, como bem recorda a Wired – atitude pouco “we can”, nada diferente de uma mensagem nos antigos moldes de emissor único. Isso fazem os jornais, o rádio e a TV. Na internet, definitivamente, as coisas são diferentes.

A decisão de vetar comentários também pesou na hora de lançar o blog da Casa Branca, há dois dias. Lá, assim como no YouTube, só o governo fala. O último post é uma simples transcrição do discurso de posse terminada com “applause”. O blog de Obama cala milhões de eleitores que utilizaram a própria web para amontoar $660 milhões de dólares durante a campanha.

A falta de interatividade não é um mero detalhe, um delay previsto e que logo ali será ativado. Deveria ser prioridade absoluta. Ao alienar a participação direta dos eleitores, Obama nada para a outra margem do rio, aquela onde estão 43 ex-presidentes. No próprio site da Casa Branca há sinais de que esse deveria ser o interesse inicial do governo que pretende mostrar ao mundo uma nova América. Vejamos o texto de introdução ao Office of Public Liaison & Intergovernmental Affairs (OPL-IGA):

OPL-IGA takes the Administration out of Washington and into communities across America, stimulating honest dialogue and ensuring that America’s citizens and their elected officials have a government that works effectively for them and with them.

OPL-IGA will bring new voices to the table, build relationships with constituents and seeks to embody the essence of the President’s movement for change through the meaningful engagement of citizens and their elected officials by the federal government.

We’ll be adding many more ways for you to interact with OPA-IGA at this page in the weeks and months ahead. In the meantime, please take a moment to share your thoughts using the form below.

O discurso deixa clara a vontade de se fazer um governo “2.0”, mas nem mesmo na página do próprio Office of Public Liaison, até poucas horas atrás, havia espaço para sequer mandar um e-mail (agora há). Além de emudecer o “diálogo honesto” e as “novas vozes na mesa”, o governo Obama começa com promessas de acertar tudo lá na frente e deixa como opção de interação uma caixa de feedback. A mensagem, por enquanto, é bem clara: sua opinião é muito importante para nós – desde que moderada e limitada a 500 caracteres.


Obamicon.me





If you can hear this whispering you are dying

As histórias de Barack Obama e Frederico de Montefeltro são diversas e não cabem uma na outra. Para efeitos de comparação, Obama é um político da maior democracia do mundo, terra das liberdades e dos direitos individuais. Frederico de Montefeltro, ao contrário, foi um hábil comandante de tropas que conquistou seu lugar nas enciclopédias pela lâmina da espada.

São muitas as histórias sobre Obama.
São muitas as histórias sobre Montefeltro.

Para todos os fins, o Duque-guerreiro foi um amante das artes que transformou a cidade de Urbino, na Itália, em uma galeria impressionante, símbolo (juntamente com Firenze) do Renascimento. Obama, por sua vez, é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, um país profundamente marcado por intolerâncias raciais. Frederico de Montefeltro e Barack Obama são, de fato, muito mais do que isso. Mas é assim que a história exige biografias.

Apesar de distantes no tempo, há um ponto de confluência entre os dois personagens: o lado escuro da face. Nos contam os livros que Frederico de Montefeltro perdeu um olho durante um treinamento militar e, por isso, jamais se deixou registrar de perfil direito. Para chegar ao poder, um dos mais célebres guerreiros italianos sacrificou o próprio legado pessoal. Assim como Montefeltro, Barack Obama também sacrificou um lado da face em busca do topo – não foi exceção em prometer coisas que, logo ali, se mostrarão impossíveis, e será rápido em dizer que, enfim, as coisas não são “bem assim”.

Assim como o Duque de Urbino, Obama ascende com um lado da face virado para o pintor e outro para a história desconhecida. Que presidente dos Estados Unidos o mundo terá? O mito negro, o reformista, o indutor de uma nova América? Tudo indica que não. Os presidentes americanos sempre chegaram ao posto cientes do que tem que ser feito. Não há improvisos no jazz da Casa Branca.

***

A Europa espera ansiosa pela posse de Obama, é um verdadeiro acontecimento por aqui. Praticamente todas as redes transmitirão flashes durante o dia e cobrirão, desde as 17h, a posse. Ontem, antecipando a história já contada 44 vezes, um canal transmitiu W., o filme de Oliver Stone que conta a história de George W. Bush. Se fosse dada a mim a tarefa de escrever a sinopse da película, assim seria: “W. é um filme sobre aceitação. Conta a história de um rico universitário beberrão que, para se livrar da sombra do irmão mais virtuoso e ter o amor do pai, se torna presidente da maior nação do planeta.” A história de George W. Bush pode ser contada através de seus acertos (um dos mais prósperos momentos econômicos do mundo) e erros (o estouro da bolha de crédito e a invasão do Iraque), mas pode também ser resumida em uma só frase: “George W. Bush, presidente dos Estado Unidos, fez o que deveria ser feito porque assim é a América”.

A partir de hoje, muitos esperam pelo governo de Obama como se fosse a volta do próprio messias. Para ser assim, o 44º presidente dos EUA não poderá repetir Frederico de Montefeltro ou George W. Bush. Em troca da redenção, Cristo precisou oferecer o outro lado da face.


Aceitei Jesus e morri fazendo boogalooing

Minha vida nunca mais será a mesma depois disso:

 

E o pior é que tem uma série deles.

 

[daqui]


Barackannibale

Impossível não empilhar posts sobre Barack Obama vivendo no Velho Mondo. Depois da declaração do imperador Berlusconi sobre bronze & beleza de Barry, agora é a vez do ministro de relações exteriores da Polônia mostrar com quanta demência se constrói a superioridade branca européia.

Do mirror.co.uk:
“Obama’s grandfather was a cannibal’, alleges Poland’s foreign minister”
Poland’s foreign minister is being investigated after allegedly making racist jibes that Barack Obama’s grandfather was a cannibal.

Oxford-educated Radoslaw Sikorski, 45, outraged colleagues when he joked that the US president-elect had Polish roots.

He told them: “His grandad ate a Polish missionary. (…)”

[Demori´s translator pra você qui não lê us livru: "Seu avô comeu um missionário Polaco".]


Eu já disse que este senhor não é o meu avô


Barry Obama = mau gosto

O Corriere della Sera publicou hoje uma foto da turma de aula de Barack Obama (1972) em uma escola privada de Punahou, Hawaii. No parágrafo inicial já podemos constatar que os ex-colegas do novo presidente do mondo se tornaram de fato uma gente bem… americana: há advogados e artistas de Hollywood, um comandante de guerra lotado no Iraque [tira eu daqui, Barry] e outra que inventou um desodorante em pílula (sim, você supostamente engole o REXONA).

Obama jovem:

. Jogava futebol com os pés
. Escrevia poesias para uma revista literária (não lerei)
. Aos 14 anos perguntou a uma colega chinês: “Tu é comunista?”

Mas o que mais me impressionou foram os modelitos da rapaziada.

Agora entendo por que a moda surf é escabrosa.


ANALYTICS <--> ANALYTICS <-->