“Polícia teme guerra entre gangues de motoqueiros na Europa”
Publicado no Terra, ontem.
Leandro Demori
Direto de Roma – Especial para o Terra
Em 21 de fevereiro de 1994, uma explosão mandou pelo ares a casa de esquina localizada em uma pacata rua da cidade portuária de Helsingborg, na Suécia. O que parecia ser um acidente logo foi confirmado como atentado: peritos encontraram estilhaços de um foguete usado para destruir tanques de guerra em meio aos destroços. A casa, que pertencia ao clube de motoqueiros Hells Angels, era o pequeno fiapo de luz visível de uma guerra subterrânea pelo controle de territórios e do tráfico de drogas na península escandinava — quatro anos de confrontos e um rastro de mortos pelo caminho.
Mais de 15 anos após aquela que ficou conhecida como “A Grande Guerra Nórdica das Motocicletas”, a Europol — polícia de investigação europeia montada nos moldes da Interpol –- teme que novos confrontos campais entre gangues de motoqueiros possam acontecer. “Há um risco claro de guerra a ser considerado”, avisa Soren Pedersen, diretor-chefe de comunicações da Europol direto de Hage, na Holanda, quartel general da força. O atentado cometido contra os Hells Angels da Suécia em 1994 foi reivindicado pelos “Bandidos Motorcycle Club”, histórica gangue rival fundada no Texas nos anos 1960 e, hoje, conforme a Europol, uma rede criminosa internacional assim como os próprios Hells Angels. “Tiros e bombas são a ação padrão desses grupos”, explica Pedersen.
Símbolo de liberdade, a vida em duas rodas romanceada inúmeras vezes pela ficção mundial está distante da realidade dos grupos de motoqueiros espalhados pelo mundo sob o nomes como “Hells Angels” ou “Bandidos”. Dados da Europol, da Interpol e de inúmeras outras unidades de investigação do mundo (incluindo o FBI e o serviço de inteligência do Canadá) garantem que ambas estão entre as maiores gangues de motocicletas do mundo, dedicadas ao tráfico de drogas, ao roubo e à extorção. “Não se pode generalizar, mas a maior parte desses grupos são criminosos”, garante o chefe da comunicação da Europol. No Velho Continente, a força de investigação identificou recentemente uma grande expansão das gangues sobre rodas e está conduzindo um projeto para ajudar as agências de aplicação da lei na União Europeia a combater a ameaça.
A preocupação maior está concentrada na Europa Oriental, onde, de acordo com as investigações, os Hells Angels Motorcycle Club (HAMC) ampliou significativamente sua presença. “Ao longo dos últimos anos, eles têm liderado um avanço extremamente rápido, especialmente na Turquia e Albânia. Eles ignoram a lei e a maioria dos membros atua em múltiplas áreas do crime, de extorsão a homicídio, passando por ofensas corporais graves e roubo organizado, fraude e crime financeiro, tráfico de armas de fogo e explosivos, tráfico de seres humanos para exploração sexual e tráfico de drogas”, esclarece Pedersen.
A organização de grupos como os Hells Angels é semelhante a de sistemas mafiosos tradicionais, exceto por um detalhe bastante importante: eles não se escondem. Cada gangue tem suas filiais espalhadas pelo mundo com logotipos, vestimentas e slogan definidos. O número de membros é variável, mas estima-se em milhares de filiados regido por um organograma preciso: presidente, vice-presidente, tesoureiro, secretário, capitão-de-estrada e sargento-de-armas. As filias são chamadas de “capítulos”, comumente localizadas em bares. A maioria dos grupos tem seu próprio estatuto, com regras que devem ser respeitadas à risca. Nos últimos anos, membros dos Hells Angels estiveram envolvidos em toda a gama de atividades do crime organizado europeu, em particular na produção e distribuição de maconha e meta-anfetaminas, com posição sólida também no mercado de cocaína.
Um dos temores da Europol é que novas alianças entre gangues de motoqueiros estejam surgindo, o que significa grupos maiores, mais infra-estrutura, relações, recursos e experiência. Mais encrenca. As fusões são uma necessidade de mercado: é preciso gerenciar o tráfico de drogas a partir do sudeste da Europa utilizando a “Rota dos Balcãs”, que vê a Turquia como um ponto de ancoragem e os países circundantes como área de circulação.
Ao estabelecer a sua influência territorial no Europa Oriental, os Hells Angels construíram relações estreitas com gangues de motoqueiros já existentes na Albânia, Bulgária e nas antigas áreas das repúblicas ioguslava e macedônia. Além disso, um grande número de ex-membros de “capítulos” alemães dos rivais “Bandidos” – a maioria de origem turca – recentemente desertou para os Hells Angels da Turquia. A corrida para garantir as oportunidades oferecidas pelos mercados do Sudeste da Europa é que pode gerar uma guerra entre gangues rivais. A criação de outros grupos motorizados fora-da-lei onde os Hells Angels já estão presentes é outra ameaça de conflitos violentos em nome da superioridade local.
Os confrontos à fogo fazem parte de uma estratégia muito mais profunda e perigosa. Hells Angels europeus buscam construir relacionamentos íntimos com pessoas influentes e autoridades da região. O objetivo é polir uma imagem pública favorável através de artigos em jornais e aparecimentos na TV. Em bom jargão: a ordem é “limpar a barra” investindo em estruturas empresariais legítimas que, por trás do bom-mocismo, escondem lavagem de dinheiro, fraudes e uma miríade de outros crimes.
A falta de conhecimento sobre o número exato de gangues de motoqueiros e a natureza de suas relações com outras gangues representa a maior lacuna de informação para autoridades nacionais. Foram mapeados mais de 60 moto-clubes de risco, muitos com ligações estabelecidas com gangues de motociclistas internacionais foras-da-lei. “Não são simples entusistas de motocicletas”, garante Pedersen, da Europol. “Precisamos agir em conjunto”.
No Esporte Espetacular | Entrevista Ricardinho
A importância do tiro no escuro para o jornalismo é cada vez mais subestimada em dias de poupar bala e dinheiro. Demos um, eu e a Mariana Becker, no final de semana que passou, e acertamos o alvo. Depois da pré-convocação do levantador Ricardinho, quase 3 anos ausente da seleção de vôlei por brigas internas, tentamos de todas as formas conversar com ele para marcar uma entrevista: telefone na caixa, números errados, nada de conseguir.
Sem certeza de coisa alguma, voamos para Treviso, cidade onde ele mora e joga. Eu já havia estado em Treviso algum tempo atrás. Naquela viagem, o GPS enlouqueceu e se perdeu diversas vezes. Dessa vez não foi diferente: outro GPS, mesmos problemas — e perdemos momentos preciosos com idas e vindas até encontrar o ginásio do time local. Treviso parece estar fora do mapa.
Nosso plano era fazer uma espécie de plantão no estacionamento do ginásio e esperar que naquele dia houvesse treino. E que fosse aberto. E que Ricardinho aparecesse.
Só que estávamos mortos de fome. A Mari tinha saído de Mônaco e eu de Pesaro ainda pela manhã. Obviamente nenhum de nós almoçou e, àquela hora, 16h, estávamos para desmaiar. “Vamos comer um sanduíche”, alguém deu a ideia, e engatamos marcha. Na saída do estacionamento, no entanto, um carro vem em direção contrária à nossa. Dentro, alguém com o dobro do meu tamanho. Sanduíche nada: demos a volta e estacionamos. Saí para perguntar e descobri que o treino começaria em 10 minutos.
Entramos, Ricardinho estava lá. Conversamos e acertamos a entrevista. A reportagem saiu no Esporte Espetacular de ontem e está aqui.
Ninguém acredita nos EUA
É opinião corrente nos programas de TV diários (são muitos) que mostram a situação do Haiti aqui na Itália. Lembram da falência completa após o Katrina em New Orleans. Chefe da Defesa Civil italiana disse ontem que dinheiro abundante não é questão central na primeira semana, o que conta mesmo é organizar as equipes de busca e socorro, saber o que fazer com elas. “Desde quando os americanos são especialistas em terremotos?”, se perguntam. “Para que servem porta-aviões e marines?”.
A Itália é autoridade no assunto, registra abalos desde a antiguidade – foram mais de 60 os “relevantes” só no século XX. Na semana passada, a terra tremia enquanto almoçávamos. Faz parte da rotina.
Estive no primeiro dia após o terremoto de L´Aquila, fiquei lá por quase uma semana. As primeiras 48 horas são fundamentais, indicam como será a operação nos dias sucessivos. Em L´Aquila, no terceiro dia, dezenas de “cidades de barracas” (tendopoli) haviam sido montadas, todos tinham onde dormir e o que comer de forma organizada — com percalços evidentes, é uma situação limite, afinal, — mas o cenário era incomparável ao mundo-cão de Porto Príncipe. No Haiti, as primeiras 48 horas foram um desastre, as horas sucessivas, a instauração do caos (veja as fotos de um “tribunal popular haitiano”, se tiver estômago).
Há um fator determinante que separa L´Aquila de Porto Príncipe: aqui há cidades vizinhas em condições de suprir o socorro e receber desabrigados; no Haiti, não.
Italianos estão indignados porque não conseguem chegar na ilha. Não têm autorização, são barrados pela burocracia e pela ausência de governo e comando no país. As melhores equipes de socorrro do mundo não assistem o Haiti, assistem ao Haiti, pela TV.
Vi, até agora, poucas fotos de cães de busca, “tecnologia” imbatível para encontrar desaparecidos e corpos. As manchetes falam nos milhões prometidos aqui e ali. Milhões que, numa hora dessas, soam como um pote de ouro em uma ilha deserta.
In diretta
Estive na região de Treviso para acompanhar o caso da brasileira Simone Moreira, acusada pela procuradoria local de matar a filha Giuliana, de dois anos. Na quarta-feira, fui convidado pelo canal “Antenna Tre” para ser um dos debatedores do programa “X News”.
Não postaram o programa inteiro, esse trecho aí de cima é do primeiro bloco. Comentários sobre minha total falta de familiaridade com luzes e câmeras serão respondidos. Sobre a camisa jeans e o novo corte de cabelo, não.
Em Budapest
Estou na cidade para cobrir a recuperação de Felipe Massa, internado no hospital militar da capital húngara. Saí da Itália na segunda e, por falta de vôos (é verão), acabei vindo de trem, às pressas. Foram 18 horas atravessando Eslovênia, Croácia e parte da Sérvia, mostra passaporte, bate carimbo, um roteiro demente até a chegada.
No primeiro dia, deixando de lado o longo trecho mal dormido, houve um momento de ambientação. O trabalho consiste, basicamente, em fazer plantão na porta do hospital junto com uns 20 jornalistas, a maioria brasileiros que cobrem o circo da F-1, outros italianos, outros locais. Não há sala de imprensa, ficamos todos na calçada dominando um muro baixo que circunda um dos jardins frontais do edifício. Devo trabalhar até a alta de Massa, talvez domingo, talvez segunda.
Ontem, depois de tudo, fui dar uma banda no centro da cidade, mais especificamente na parte de Pest. Comigo estava o Bernardo Pires Domingues, repórter do globoesporte.com, carioca boa praça que mora em Londres. Bom papo. Andamos por cerca de uma hora com um mapa em mãos tentando econtrar a Praça Elizabeth (Erzsébet Tér). O lugar é fatal, entupido de gente sentada na grama, andando de bicicleta, skate, bebendo e falando uma língua incompreensível.
Conseguimos uma mesa nesta escada e ficamos observando o movimento local e bebendo a boa cerveja nacional. Lá em baixo há uma discoteca com entrada gratuita, como todas as discotecas daqui. Não fomos, bebemos demais, e voltamos para o hotel. Depois das 18 horas não dormidas, acabei repousando somente 5.
Como primeiras impressões, caminhando pelas ruas me sinto em uma Viena mal cuidada, com traços leves do regime comunista de anos passados em algumas contruções e descuido absoluto em outras. Na margem do Danúbio, no entanto, a visão é uma das mais belas que já tive. Se sobrar tempo, alugo uma bicileta, bato fotos e falo um pouco mais.
Sob terremotos, o “berlusconismo” se fortalece
Há exatamente uma semana, mais ou menos nesta mesma hora, um casal de amigos que estava passando uns dias aqui em casa resolveu dar uma caminhada na praia. O tempo aos poucos melhora e o vento não corta mais os lábios de quem se aventura à noite pelas areias da riviera adriática italiana. Poucos minutos depois, Ana me faz sacar subitamente os fones do ouvido e diz atemorizada: “terremoto”.
Mal a palavra havia saído de sua boca os móveis já paravam de tremer. Terremotos são assim traiçoeiros, você não tem tempo para pensar, é pego de surpresa e a única coisa que consegue pensar é exatamente isso, “terremoto”, assim como o personagem de um filme travado diante de um trem. Já havíamos passado por um no natal, na casa de amigos em Vicenza, e foi a mesma coisa. É compreensível o número de mortos em um abalo sísmico que golpeia a madrugada.
O terremoto que sentimos na costa também foi sentido no interior do país e precedeu aquele das 3h30 da manhã de segunda que destruiu cidades inteiras na província de l´Aquila, em Abruzzo.
Como vocês sabem, estive em l´Aquila para cobrir a tragédia durante toda a semana (fotos aqui e aqui). Fui um dos primeiros jornalistas da imprensa internacional a chegar no local – e seguramente o primeiro jornalista brasileiro. Não tenho experiência com coberturas deste tipo, jamais estive em zonas de risco natural ou guerras. L´Aquila havia sofrido um terremoto, mas parecia saída de um bombardeamento.
A cidade estava um caos. O nível de tensão aumentava a cada hora, o som de sirenes e helicópteros era constante e muitas vezes eu não conseguia ouvir minha própria voz. Paradoxalmente, as casas estavam vazias, portas e janelas abertas pelo terror da evacuação precipitada. Do dia para a noite, fim. Foi uma sensação aterradora.
Minha experiência como jornalista se fez em vários capítulos, partindo do risco de ir para a zona atingida (senti mais 4 tremores em l´Aquila e um no hotel, em plena madrugada) até a indecisão de saber se conseguiria chegar ao epicentro. Durante a semana, precisei explorar diferentes rotas na espinha dorsal montanhosa italiana para poder sair e chegar das cidades.
No último dia da cobertura, sentado na arquibancada de um estádio convertido em uma das 31 cidades-tendas para os desabrigados, me peguei pensando em política. Diante daquele pensamento não tão inesperado, reafirmei uma convicção que tenho desde que cheguei à Itália, sobre a vitória do “berlusconismo” contra a esquerda. Existem muitas causas que renderão outro post em breve (oposição risível, esquerda caricata, envelhecimento populacional, conservadorismo, controle da mídia…), mas uma delas está na essência da vitória desse pensamento e, de certa forma, explica ou se confunde com todas as outras: italianos ainda precisam de pais.
A valorização excessiva da família produz efeitos colaterais visíveis à política italiana, isso salta aos olhos de qualquer estrangeiro que passe algum tempo por aqui. Não que eu acredite que a família seja desimportante, mas na Itália essa centralização do núcleo familiar como instituição já atinge níveis de doença. Filhos com 30 anos morando com os pais são mais comuns do que o contrário – frequentemente, sem trabalhar. A essas figuras se dá o nome de “mamones”, ou “mamões”, os que com três décadas de vida ainda mamam.
Casais só moram sob o mesmo teto depois de passar pelos ritos formais (leia-se Igreja) e, mesmo depois disso, as coisas não mudam muito: 66% dos recém-casados vivem em um raio de 1km da casa dos pais de um deles. Italianos passam o dia pendurados no telefone, na maioria das vezes com alguém da família. Basta um problema ou contratempo em um local onde haja alguns italianos e logo você verá uma legião de pessoas sacando celulares e pronunciando a mesma palavra antes de uma frase de lamentação ou explicação: “mamma”.
Ao ver Berlusconi caminhar pelas “tendópolis” de l´Aquila, senhor de si, pai da pátria, fica fácil entender por que seu projeto de poder não parece ter hora para acabar. Carismático e sedutor, Silvio encarna com perfeição o paternalismo que não tem mais lugar na maioria das democracias, o paternalismo sem disfarces, aquele que funda suas bases em cima da assistência direta, da mão na cabeça, do personalismo em detrimento do Estado. Para sustentar a condição de pai que a maioria dos italianos que já o elegeu por 4 vezes pede, Berlusconi não distribui somente sorrisos ou frases de efeito (muitas temerosas), mas também eficiência cirúrgica.
Incapaz de fazer a Itália avançar economicamente, o premier não costuma vacilar em situações como esta do terremoto. Apesar das críticas feitas por parte dos desabrigados, a maioria estava satisfeita com as verdadeiras cidades de barracas que o governo montou. E foi, de um certo ponto, impressionante – até por que eu não esperava tanta eficiência da burocratizada e enrolada Itália.
Em dois dias estava tudo lá: atendimento médico, comida, roupas, camas, psicólogos. A falta de algumas coisas (como água quente ou aquecimento contra o frio) foi compensada por uma ação conjunta entre governo e voluntários que, se no primeiro dia pareciam bater cabeça, rapidamente se organizaram para acolher aquelas pessoas.
Aos que preferiram sair das cidades, Berlusconi mandou distribuir uma espécie de carta-recomendação oficial. Era chegar em um dos hotéis da costa, apresentar a carta e se hospedar. Somente as cidades do Adriático receberam mais de 25 mil pessoas em três dias – boa parte delas bancadas pelo governo. No dia em que voltei para casa a imprensa anunciava uma ajuda em dinheiro vivo para as famílias atingidas (de 300 a 400 euros por mês), além de reforçar o compromisso com a reconstrução das casas, comércios, escolas, hospitais. Tudo isso em 4 dias, enquanto as equipes de resgate trabalhavam para a remoção de feridos e corpos. O premier sabe que o jogo de cena é importante e raramente erra quando a situação pede um salvador.
Silvio Berlusconi faz parte de uma casta de políticos muito popular no Brasil, uma erva-daninha difícil de combater: é centralizador, pessoalista, dono de emissoras de TV, empresas de construção, instituições financeiras, com interesses espalhados por todos os cantos da sociedade de seu país. A mesma sociedade que, carente de um pai, repetidamente o coloca no centro do poder.
Epicentro

Viajei por horas entre estradas vicinais para chegar hoje pela manhã à l´Aquila, no centro da Itália, capital da província golpeada por fortes terremotos desde a madrugada de segunda. As cidades parecem bombardeadas, tristes, em guerra nas ruas, fantasmas dentro das casas – todas vazias e abertas pelo abandono súbito dos moradores no momento de maior pânico, durante a madrugada de dois dias atrás. Deixo aqui algumas fotos aproveitando o tempo de conexão do hotel. Amanhã volto pra lá.
[Fui enviado pelo portal Terra.]


















