Conviver é um exercício diário
Mulher entra no ônibus com o filho pela mão. Como não há cobrador ela pega algumas moedas e alimenta a máquina. Espera pelo bilhete. Há três tipos de ticket e, ao comprar aquele válido por apenas uma hora, ela pede ao motorista para assinalar o horário – o sistema é meio índio. Ele não tem caneta. Ela muito menos. Ele começa a explicar o que ela deveria fazer, enquanto ela argumenta que ele deveria ter caneta. Começa uma discussão à italiana, intimidante para quem vê de fora, normal para quem já se acostumou. No meio da gritaria o motorista pede para que ela olhe nos olhos dele enquanto conversam. Ela se irrita e vai sentar junto ao filho, no meio do carro. Lá na frente, um senhor de uns 80 anos puxa papo e o motorista solta um “gente que não te olha nos olhos não é boa”, alto, para que a mulher ouça. Ela resiste, faz de conta que não ouviu, mas o motorista repete a frase. Ela levanta, vai até perto dele e diz que, ao descer, vai pedir para que seu marido embarque no ônibus e lhe encare nos olhos. No meio de uma das avenidas mais movimentadas da cidade o motorista freia o ônibus, levanta do banco e vai até o meio do carro pedir para que alguém seja “testemunha” dele. “Testemunha do que?”, eu pergunto, “o senhor agiu mal, não merece testemunha que não seja de acusação”, emendo. Ele, tentando consertar, diz que só queria explicar o procedimento no caso de um bilhete não marcado e que, afinal de contas, seria importante que a mulher o encarasse enquanto estavam conversando. Ela volta para o meio do ônibus, pega o filho pela mão, pede para que o motorista abra a porta e diz, olhando para baixo:
“Eu não posso te olhar nos olhos, eu sou muçulmana.”
Convivência é algo que se aprende a duras lições.
Pior país. Wollte URG.
Feb 17, 2009 @ 2:34 pm
Baita texto.
Link para doações djá: pelo menos posso te pagar uma cerveja toda a vez que ler algo tão foda.
Feb 17, 2009 @ 5:51 pm
além do retrato da Itália, diz muito sobre as mulheres no islamismo.
Feb 17, 2009 @ 6:33 pm
engasguei.
Feb 17, 2009 @ 10:10 pm
Sem mais
Com nó no estômago
Bj
p.s.: rende um conto. só abrir alguns parágrafos que está pronto.
Feb 17, 2009 @ 10:22 pm
Baaita texto! :D
Rende um conto. [2]
Feb 18, 2009 @ 3:34 pm
E dinheiro, rende?
taís, ceva tu me paga em Paris.
=)
Feb 18, 2009 @ 10:53 pm
Também pago cerveja em Paris. Merece.
Feb 26, 2009 @ 5:06 pm
Putz!
fiquei sem palavras!
Feb 26, 2009 @ 7:23 pm
“Olhos nos olhos quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz…me pego cantando sem mais nem porque e tantas águas rolaram quantos homens me amaram bem mais e melhor que você.”
Ponto pros muçulmanos “olhos nos olhos” é íntimo.
Feb 27, 2009 @ 6:17 pm
Asahi = lixo.
(San Miguel, aqui. passável. LAGER, pelo menos.)
depositei os 10 pila na conta.
capricha nas GATA.
nvsdlkfnsld
Feb 28, 2009 @ 8:33 pm
Escreve, Leandro. Assim eu fico desolada.
Mar 01, 2009 @ 12:54 am
o tite era o motorista
me paga uma passagem pra paris q tbm te pago uma ceWa
Mar 02, 2009 @ 5:59 pm
Excelente texto, parabéns!
Mar 31, 2009 @ 3:02 pm
genial! comovente!
Jun 10, 2009 @ 8:20 pm