L E A N D R O . D E M O R I

Archive for January, 2009

Pesquisa de opinião

Ainda repercute por aqui a frase de Berlusconi sobre estupros, dita no domingo. Segundo o chefe supremo da Gesticulândia, “estupros vão continuar a acontecer enquanto não houver tantos soldados quanto meninas bonitas na cidade”. Berlusca estava sendo questionado sobre a possibilidade de enviar tropas para conter a onda de violência sexual na cidade de Sardinia.

Este blog fez uma rápida pesquisa de opinião pública ontem e constatou que, DESTA VEZ, a maioria dos italianos reprova a opinião do Premier. Nove entre dez gringos machos preferem que a quantidade de mulheres bonitas se mantenha superior a de soldados – e Berlusconi que dê outro jeito para acabar com a violência.

* * *

A AMPLA PESQUISA de opinião do blog ainda abordou a polêmica questão da venda da Alitalia para a Air France. Para a maioria dos italianos, não importa que a dona da companhia seja estrangeira, o importante mesmo é que sejam mantidas as tradições como essa:

Digo, essa:

 

Quer dizer:


Nego Tudo

A Nova Corja levou 5 das 6 categorias em que estava concorrendo no 6° Prêmio Spoiler de Blogs. O blog foi escolhido por 1500 leitores como Melhor Blog, Melhor Pauta Original, Melhor Jornalismo, Melhor Conceito Político e Melhor Ação Social, conforme a coordenação.

Não sou nenhum entusiasta de prêmios mas, OK, 2008 valeu alguns troféus.


Obameter

O site PolitiFatc se dispôs a acompanhar a execução (ou não) das promessas que Barack Obama fez durante a campanha. Não tenho (mesmo) tempo para olhar uma por uma e ver se são, de fato, promessas. Mas vale manter os olhos no Obameter.


Uma foto | César, Libertadores 83


We can´t

Em um excelente artigo, a revista Wired questiona a capacidade de Barack Obama em dar um reboot na Casa Branca em relação ao uso de novas tecnologias. Logo na abertura, Evan Ratliff conta a história do vídeo de Obama no YouTube, que foi para a rede em novembro, menos de duas semanas depois da vitória eleitoral. Não era possível fazer comentários sobre o vídeo, como bem recorda a Wired – atitude pouco “we can”, nada diferente de uma mensagem nos antigos moldes de emissor único. Isso fazem os jornais, o rádio e a TV. Na internet, definitivamente, as coisas são diferentes.

A decisão de vetar comentários também pesou na hora de lançar o blog da Casa Branca, há dois dias. Lá, assim como no YouTube, só o governo fala. O último post é uma simples transcrição do discurso de posse terminada com “applause”. O blog de Obama cala milhões de eleitores que utilizaram a própria web para amontoar $660 milhões de dólares durante a campanha.

A falta de interatividade não é um mero detalhe, um delay previsto e que logo ali será ativado. Deveria ser prioridade absoluta. Ao alienar a participação direta dos eleitores, Obama nada para a outra margem do rio, aquela onde estão 43 ex-presidentes. No próprio site da Casa Branca há sinais de que esse deveria ser o interesse inicial do governo que pretende mostrar ao mundo uma nova América. Vejamos o texto de introdução ao Office of Public Liaison & Intergovernmental Affairs (OPL-IGA):

OPL-IGA takes the Administration out of Washington and into communities across America, stimulating honest dialogue and ensuring that America’s citizens and their elected officials have a government that works effectively for them and with them.

OPL-IGA will bring new voices to the table, build relationships with constituents and seeks to embody the essence of the President’s movement for change through the meaningful engagement of citizens and their elected officials by the federal government.

We’ll be adding many more ways for you to interact with OPA-IGA at this page in the weeks and months ahead. In the meantime, please take a moment to share your thoughts using the form below.

O discurso deixa clara a vontade de se fazer um governo “2.0”, mas nem mesmo na página do próprio Office of Public Liaison, até poucas horas atrás, havia espaço para sequer mandar um e-mail (agora há). Além de emudecer o “diálogo honesto” e as “novas vozes na mesa”, o governo Obama começa com promessas de acertar tudo lá na frente e deixa como opção de interação uma caixa de feedback. A mensagem, por enquanto, é bem clara: sua opinião é muito importante para nós – desde que moderada e limitada a 500 caracteres.


Uma foto | Trojan Horse


Obamicon.me





If you can hear this whispering you are dying

As histórias de Barack Obama e Frederico de Montefeltro são diversas e não cabem uma na outra. Para efeitos de comparação, Obama é um político da maior democracia do mundo, terra das liberdades e dos direitos individuais. Frederico de Montefeltro, ao contrário, foi um hábil comandante de tropas que conquistou seu lugar nas enciclopédias pela lâmina da espada.

São muitas as histórias sobre Obama.
São muitas as histórias sobre Montefeltro.

Para todos os fins, o Duque-guerreiro foi um amante das artes que transformou a cidade de Urbino, na Itália, em uma galeria impressionante, símbolo (juntamente com Firenze) do Renascimento. Obama, por sua vez, é o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, um país profundamente marcado por intolerâncias raciais. Frederico de Montefeltro e Barack Obama são, de fato, muito mais do que isso. Mas é assim que a história exige biografias.

Apesar de distantes no tempo, há um ponto de confluência entre os dois personagens: o lado escuro da face. Nos contam os livros que Frederico de Montefeltro perdeu um olho durante um treinamento militar e, por isso, jamais se deixou registrar de perfil direito. Para chegar ao poder, um dos mais célebres guerreiros italianos sacrificou o próprio legado pessoal. Assim como Montefeltro, Barack Obama também sacrificou um lado da face em busca do topo – não foi exceção em prometer coisas que, logo ali, se mostrarão impossíveis, e será rápido em dizer que, enfim, as coisas não são “bem assim”.

Assim como o Duque de Urbino, Obama ascende com um lado da face virado para o pintor e outro para a história desconhecida. Que presidente dos Estados Unidos o mundo terá? O mito negro, o reformista, o indutor de uma nova América? Tudo indica que não. Os presidentes americanos sempre chegaram ao posto cientes do que tem que ser feito. Não há improvisos no jazz da Casa Branca.

***

A Europa espera ansiosa pela posse de Obama, é um verdadeiro acontecimento por aqui. Praticamente todas as redes transmitirão flashes durante o dia e cobrirão, desde as 17h, a posse. Ontem, antecipando a história já contada 44 vezes, um canal transmitiu W., o filme de Oliver Stone que conta a história de George W. Bush. Se fosse dada a mim a tarefa de escrever a sinopse da película, assim seria: “W. é um filme sobre aceitação. Conta a história de um rico universitário beberrão que, para se livrar da sombra do irmão mais virtuoso e ter o amor do pai, se torna presidente da maior nação do planeta.” A história de George W. Bush pode ser contada através de seus acertos (um dos mais prósperos momentos econômicos do mundo) e erros (o estouro da bolha de crédito e a invasão do Iraque), mas pode também ser resumida em uma só frase: “George W. Bush, presidente dos Estado Unidos, fez o que deveria ser feito porque assim é a América”.

A partir de hoje, muitos esperam pelo governo de Obama como se fosse a volta do próprio messias. Para ser assim, o 44º presidente dos EUA não poderá repetir Frederico de Montefeltro ou George W. Bush. Em troca da redenção, Cristo precisou oferecer o outro lado da face.


Belle | Rosella Brescia










Sinto minha consciência flanar

Campanha de Esclarecimento ao Eleitor estimulou voto consciente nas eleições

A Campanha de Esclarecimento ao Eleitor, veiculada na televisão e no rádio de julho a outubro do ano passado, motivou o brasileiro a votar e estimulou o voto consciente nas eleições de 2008. A avaliação da campanha, feita pelo Instituto de Pesquisa Nexus, revela que 39% dos eleitores se sentiram muito motivados a votar após assistirem na TV ou ouvirem no rádio as inserções da campanha feita pela Justiça Eleitoral. Já 33% dos consultados pela pesquisa ficaram razoavelmente animados a votar. O índice de eleitores muito motivados a votar em 2008 foi maior que os 34% das eleições de 2006.

(…)

Dos entrevistados na avaliação, 83% dos eleitores afirmaram que estavam bem informados sobre as eleições no momento de votar.”

Léo Kret do Brasil, eleito com 12.861 votos em Salvador: motivadáásso

No Sul, 9,10% dos eleitores admitiram que estavam mal informados sobre o pleito no instante do voto.”

MOMENTO MALDADE: sacanagem dizer isso dos eleitores da Luciana Genro.

Em outra pesquisa divulgada ontem, o TSE afirma que os “Eleitores estão mais preocupados com a lisura dos candidatos“.

Ou seja, quanto mais liso o candidato, melhor.


Não se preocupe, nós temos um bom plano de marketing para reverter a situação, comandante

[Do terra]


Exclusivo! Foto do avião de Yeda Crusius

Modelo Aero Crisis – PSDB/RS


PêTê da Pizza naum tendeu a tenéti

Se você saiu anteontem de uma fenda cósmica e lê três linhas de notícias a mais do que a média diária dos brasileiros já deve saber que o $enador Azeredo não tendeu a tenéti. Apesar de se esforçar para atingir um bom nível de demência, Azeredo precisará suar um pouco mais para bater os níveis italianos de favela digital.

Aqui na Pizza, um projeto de lei apresentado em 2007 e reapresentado no final de 2008 é mais difuso do que o da Banana, porém, verdadeiramente um desastre. A abobrinha oficial fala sobre reformar o mercado editorial do país. O texto, no entanto, dá poderes para esvaziar a combativa blogosfera italiana. O projeto é chamado por aqui de “ammazzablogger” (algo como “mata-blogs”).

Apresentada pelo braço direito do renunciado esquerdista Romano Prodi, Ricardo Franco Levi, a lei previa que todos os blogs deveriam se registrar no Registro degli Operatori della Comunicazione (Roc) . Na prática, precisariam virar empresas, pagar taxas e arcar com toda a burocracia (à ITALIANA) que isso acarreta.

A lei caminhava para uma aprovação silenciosa quando foi descoberta pelo site Civile.it. Foi o ponto de partida para protestos em blogs, jornais de grande circulação e petições online. A gritaria tomou proporções tão grandes que fez o governo recuar – além forçar o próprio Levi a se pronunciar oficialmente sobre um post de Beppe Grillo, o mais influente blogueiro do país e um dos mais lidos do mundo.

Há alguns dias, no entanto, o projeto de lei voltou para apreciação do legislativo com algumas alterações. O texto não prevê mais o registro de todos os blogs, mas somente dos meios de comunicação editoriais com finalidade comercial na internet. Um desastre, nova tentativa de enganar a blogosfera e controlar politicamente as opiniões. Por “finalidade comercial” entenda-se, por exemplo, Google Ads. Na prática, o projeto continua o mesmo, já que a maioria dos blogs italianos que realmente incomodam tem banners e espaços comerciais.

A consequência de uma aprovação seria catastrófica. Se for assinada, a lei dará margem para processar blogs não registrados (aka: que não virarem empresas) por stampa clandestinadois anos de cadeia + sanções econômicas – como, aliás, já vem acontecendo.

Cada vez mais tenho a sensação de que vivemos o melhor momento da internet. A festa acabou.

Campanha contra a nova lei, agora chamada de Levi/Veltroni (Walter Veltroni, PêTê da Pizza).


Aceitei Jesus e morri fazendo boogalooing

Minha vida nunca mais será a mesma depois disso:

 

E o pior é que tem uma série deles.

 

[daqui]


FAIL III

Mais um PIZZA FAIL (porque é impossível parar):

“Senhor GPS, eu quero sair de Rimini e ir para Vicenza.”

OK:

Era pra ter uma estrada no lugar de um muro escrito “SOLO CATARRO!”.

Desligue e siga as placas.


FAIL II

Vai dar pau.


FAIL