L E A N D R O . D E M O R I

Archive for December, 2008

Feliz 2009


Notícias de uma guerra particular

A Polícia Rodoviária Federal deve divulgar o balanço oficial da carnificina nas estradas brasileiras só no dia 5 de janeiro. Com uma pequena colagem de notícias já dá pra ver que temos nossa própria Faixa de Gaza.

(do G1)
Minas Gerais: “Os registros da Polícia Rodoviária Federal do dia 20 de dezembro até domingo (28) são assustadores: 903 acidentes e 50 mortes nas estradas.”

Rio de Janeiro: “(…) foram 283 acidentes, que provocaram 14 mortes.”

(do Estadão)
“De acordo com balanço preliminar da Polícia Rodoviária Federal, entre a 0h do dia 20 e às 24h do dia 27, foram contabilizados 285 acidentes, com 129 feridos e 7 mortos.”

(da ZH)
“Agora já são 22 as vítimas do trânsito neste feriadão.”

(do DC)
“Operação Natal da PRF registra 21 mortes em SC”

Não era pra estar todo mundo sóbrio?


windAMMM

Apartamento alugado, era hora de fazer (enfim) um plano de internet. Não é algo muito fácil aqui na Itália. Primeiro, se você não tem conta em banco, bailou, Bahia – resta a única operadora que não exige nada além do teu dinheiro, a Wind. O bom é que não tem plano mínimo de tantos meses, vai tudo no esquema do pagou/usou, não pagou/abra$$o.

Fui em três quiosques da operadora antes de encontrar alguém que soubesse qualquer coisa sobre internet. Não levou muito tempo para descobrir que se conectar na Itália, ao contrário de muitos países da Europa, não é algo exatamente barato. No fim, optei por um usb modem e um plano de 30 euros mensais. Já é um começo.

Antes de sair da loja perguntei para a vendedora onde poderíamos comprar um cabo Lan para instalar a rede wireless. “Na loja Ápl”, disse a vendedora, segunda rua à direita, na praça. Me certifiquei sobre o nome da loja, não havia entendido direito. “Á-PL”.

Saímos, dobramos na primeira a direita, chegamos na praça, vagamos um pouco e, como não encontramos nenhum negócio que parecesse vender produtos de informática, resolvemos percorrer todo o local. As praças italianas costumam ser grandes e confusas, perdemos um bom tempo investigando o local. Como não achamos, resolvemos investigar as ruas laterais e aquelas que circundam o campanário e a catedral principal da cidade. Nada. Voltamos à loja da Wind.

“Desculpa, como é mesmo o nome da loja que vende cabos?”
“Á-PL”, disse novamente a vendedora.
“Pois é, não encontramos nenhuma loja com esse nome.”
“Mas é logo na praça, uma loja branca que só vende computadores e produtos Á-PL”.

Apple.

Era uma loja Apple.

Nós tínhamos visto a loja mas, além de jamais imaginar que alguém me mandaria comprar um mísero cabo de rede em uma loja Apple, ainda fui enganado pelo sotaque miseravelmente incompreensível de um italiano falando inglês. Eles simplesmente desossam o inglês. Apple vira áplê, William vira WilliaMMME, Wind vira WindAMMM.

Da série “Vantagens de ter nascido lusófono”: brasileiro é muito melhor nessas coisas de falar a língua dos outros.


Hoppípolla

O sorriso, a curvatura e a curvatura na nota de banco cercada com ekki do snertið não o mundo total forem um ponto, quando você arte com tootsie.

Isso me lembra que preciso voltar a postar.

[3h da manhã]

(pescado do Cardoso)


Ad exstirpanda

Chegamos a Assis em uma manhã fria e ensolarada de sábado. A cidade, como muitas na Itália, fica no topo de uma montanha, protegida por muros altos que serviam para conter invasões. Até chegar à basílica onde está enterrado São Francisco de Assis é preciso percorrer centenas de metros por ruelas medievais nas quais se perder pode fazer parte da visita. Não sou um cara propriamente crente na divindade – não estava lá muito animado, apesar da beleza local.

The martyrdom of saints_01

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No meio do caminho passamos pela porta de um antigo palácio ducal que anunciava a exposição de instrumentos de tortura usados durante a avançada Idade Média. Ninguém quis pagar para ver, deixei o grupo de quatro pessoas seguirem sem mim até o túmulo de Assis e entrei. Não havia viva alma na exposição àquela hora da manhã, eu estava sozinho em um prédio do século XI com instrumentos atemorizantes que, possivelmente, tinham a mesma idade daquelas paredes, portas, maçanetas e pisos de tijolos de barro escuro.

Foi estranho.

As fotos têm qualidade ruim por causa da fraca luz ambiente.

A humanidade sempre pode ser pior do que imaginamos.