L E A N D R O . D E M O R I

Auschwitz-Birkenau

Halt Cerca em Birkenau Dupla cerca, Auschwitz Blocos de prisioneiros em Auschwitz Janela Roupas de crianças encontradas nos campos Boneca Malas dos deportados encontradas no campo Perna mecânica Próteses, muletas. Auschwitz Óculos tirados dos prisioneiros

Sobre políticos, tsunamis e bombardeios na Líbia

< < Os ''especialistas'' de qualquer campo têm uma característica em comum: jamais apostarão dinheiro ou qualquer outra coisa em algo que possa revelar ao mundo aquilo que consideram suas convicções, quaisquer que sejam. É por isso que são ''especialistas''. Atravessaram com desenvoltura aquele campo minado feito de responsabilidades arriscadas que separa os políticos dos apostadores. E uma vez alcançado o estado em que se pode considerar especialista, o melhor modo de permanecer ali é driblar qualquer aposta, pública ou privada, assim artisticamente de modo que nada poderá arruinar sua preciosa reputação, ao menos por um acontecimento tão bizarro que poderia passar por uma ''calamidade natural'' >>

Hunter S. Thompson, The Great Shark Hunt, tradução livre [e bêbada] da edição italiana.

Enquanto houver guerra há esperança

Cimitero Monumentale del Verano

Manhattan Connection

Caros: ano novo, vida nova (maior balela já inventada pelo homem).

Mas algo de novo temos: o Manhattan Connection mudou de canal, saiu do GNT e foi pra Globo News. E eu — após temer por meu ‘emprego’ — fui junto. Gravo com o Diogo Mainardi a parte do programa aqui em Veneza — faço a parte técnica (câmera, luz, ação).

Data e horário, pra quem quiser assistir, continuam sendo domingo às 23h (sempre foi nessa hora na GNT, não?).

Enfim.

L’uomo medio

Cães

Crítica a jornalistas é o passatempo nacional mais democrático que existe: pode ser feita por qualquer um, por qualquer motivo, em qualquer contexto. Todo mundo tem opinião sobre nosso trabalho, até nós mesmos. Em acontecimentos como o dos deslizamentos no Rio [quase 600 mortos até agora] o número de críticos se multiplica.

São muitos os jornalistas na cobertura. A pergunta mais comum é por que gastar dinheiro e recursos importantes com transporte, estadia e alimentação de tantos profissionais que, em essência, fazem praticamente o mesmo trabalho. Não seria o caso de racionalizar? Mandar menos jornalistas?

Cobri deslizamentos de terra como os que acontecem no Brasil nos últimos dias, com menos vítimas, por sorte, na Calábria. A Itália é um dos países com maior risco hidrogeológico do mundo. Mas a história sobre jornalistas que me vem em mente é de quando cobri o terremoto de l’Aquila.

Nos primeiros dias parecia o inferno, dentro daquilo que a tradição ocidental imaginou como tal. Não havia ordem, lei, normalidade; só ambulâncias, helicópteros e gritos de dor e perda. As casas estavam todas abertas, deixadas pelas pessoas que fugiram no meio da madrugada. Uma visão tão espantosa em um mundo ademais tomado por grades e alarmes quanto melancólica. Poucos dias depois dos tremores começaram os saques e o exército precisou ser acionado. Ausência de piedade não é monopólio do terceiro mundo.

Caminhando pela cidade aberta em um cenário que não deve diferir muito de um bombardeamento o que mais me abatia era a conversa com as pessoas. A maioria vagava aparentemente sem direção, muitos tentavam recuperar objetos dentro das casas e eram impedidos pelos soldados, outros esperavam escavadores para tirar amigos e conhecidos do meio dos escombros.

Em situações como essas a atenção com as palavras precisa ser alta. Precisava fazer meu trabalho, ver, anotar, fotografar, mas sobretudo conversar com os moradores que têm outras preocupações prioritárias a dar entrevistas. Na maior parte das vezes sequer têm cabeça para isso. Surpreendentemente pra mim, jornalistas não são mal vistos pela maioria dos atingidos por calamidades. Em vez de má vontade, o que as pessoas mais nos pediam é que não saíssemos de lá. Tinham medo que toda a ajuda fosse embora quando os holofotes e câmeras se apagassem, quando as canetas parassem de anotar, quando fosse tudo silêncio.

Voltei para a cidade um ano depois. L’Aquila morreu. O centro ainda está bloqueado por caminhões do exército e onde ontem viviam 100 mil pessoas hoje há somente bombeiros, operários e excursões de universitários sismólogos. A imprensa foi embora — no mês seguinte outra notícia se impôs. Os moradores tinham razão.

Muitas vezes nos comportamos como cães de rua, revirando lixo, buscando feridas, priorizando a notícia ao homem. Parece um desperdício mandar tanta gente da imprensa para locais em estado de calamidade como a região serrana do Rio de Janeiro. Não é. Seria muito pior se tentassem resolver tudo no escuro.

Matéria no Esporte Espetacular | Pilotos brasileiros em Monza

Essa foi daquelas que valem muito, não só pela matéria em si — que ficou ótima, como sempre, quando tem gente como a Mariana Becker fazendo e o Raphael Palumbo editando — mas porque dei umas boas voltas no circuito de Monza. O carro é uma BMW de passeio e o piloto foi o Victor Guerin, brasileiro que corre a Formula Abarth na Itália. Jamais imaginei que teria o privilégio de andar em uma pista histórica da F1.

A Copa das Pessoas

Recebi hoje uma caixa bonitona com farto material sobre “A Copa das Pessoas”, filme girado em 32 países durante a Copa do Mundo da África do Sul. A convite da Olympikus, filmei pessoas na Itália (Roma) e na Suíça (Zurique). A ideia era pegar o torcedor comum e construir com ele uma narrativa de jogo de futebol, seus altos e baixos, boas expectativas e frustrações. Partiu do pessoal da Boca. Ficou lindão. Vejam aí.

BOCA: The People’s Cup (A Copa das Pessoas / El Mundial de las Pessoas) from BOCA on Vimeo.

Ferrari test

Na pista de Vallelunga, aqui perto de Roma. O piloto é o brasileiro Cesar Ramos (21), vencedor da F3 italiana desse ano. Filmado na quinta, editado ontem de madrugada embalado por algumas cervejas e schizo.

Ferrari test, Vallelunga, Italy from Leandro Demori on Vimeo.