L E A N D R O . D E M O R I

Quase sem unhas

Mas tem um texto meu lá no Impedimento.

Carta de cafés para iniciantes

Impossível saber quantos tipos de café a Itália já concebeu. Abaixo, a categoria de base, encontrada em qualquer bar de estação de trem.

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[via nerviosismo]

Francamente

Acabo a leitura diária de jornais e vejo que The Times e The Independent engrossaram o coro do La Repubblica, que pede a cabeça de Silvio Berlusconi. Inúmeros processos (alguns, inclusive, por ligações mafiosas e suborno de testemunhas) não foram suficientes para abalar o premier, que deve cair mesmo por conta dos escândalos sexuais dos últimos meses.

Os jornais não poupam ninguém. O The Independet, por exemplo, cita até mesmo a ministra Mara Carfagna, vedete da TV antes de entrar no mundo da política — mas que nada tem a ver com os acontecimentos que podem depor Berlusconi. Questionam o fato de ela ter entrado no governo usando como artifício a beleza.

Carfagna dirige o contestado Dipartimento per la Pari Opportunità, também conhecido como Ministério do Bem-Estar Social, e cairia junto com Silvio.

Sinceramente?

Olhem bem para esta foto:

mara-carfagna-hot

Não sei quanto a vocês, mas meu bem-estar social melhora consideravelmente sempre que a vejo.

É um absurdo demitir uma pessoa competente como essa.

Lembrou um país que eu conheço

A Copa das Confederações que está rolando na África do Sul é um teste para a Copa do Mundo que acontece no ano que vem lá no Mandelão. Viram o que o chefe da delegação do Brasil, coronel Antonio Carlos Nunes de Lima, disse sobre o país?

“Em uma conversa com jornalistas no histórico bairro de Soweto, onde a seleção treina para a partida contra os donos da casa, na quinta-feira, Nunes, ex-chefe de Segurança do Estado do Pará, reclamou bastante (e exatamente) da insegurança no país.

- Eu não daria aprovação para isso aqui (na Copa do Mundo). Depois das seis da tarde existe toque de recolher, não se vê mais ninguém nas ruas. Estou realmente preocupado. Parece uma cidade em guerra permanente. Nem mesmo nós que temos escolta da polícia somos respeitados. Não tem como sair depois do jogo para comemorar a vitória em um bar. Estava pensando em trazer minha família para a Copa, mas já não sei se vou fazer isso – afirmou, bastante preocupado. ”

Além disso, o pé da matéria mostra, foram furtados objetos nos hotéis onde estão hospedados Brasil e Egito.

Lembrou um país que eu conheço, o Braziu, que vai sediar a Copa de 2014. Tenho a sensação que o Ricardo Teixeira, presidente da CBF, lembrou do Braziu também, e logo tomou uma atitude: se reuniu com o presidente Lula para aprovar um pacote de segurança e investir nas polícias estaduais. (Rá, mentira.) Soltou uma nota dizendo que o Coronel fala por si, garantindo que a CBF e os jogadores da Seleção estão muito satisfeitos com o país e que têm “certeza de que o país está muito bem preparado para sediar a Copa do Mundo no ano que vem com brilhantismo”.

As declarações do Coronel não ficaram somente entre boleiros e cartolas. O Senado, atento ao problema, deve disponibilizar ainda esta semana um fundo exclusivo para treinamentos dos batalhões de choque, dado o visível despreparo desses batalhões nos estádios de futebol. (Rá! Mentira de novo.) A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado exigiu que a CBF forçasse o MELIANTE a “pedir desculpas por sua manifestação contra a África do Sul ou se afaste da delegação“.

Dá gosto de ver uma ação conjunta diante de um problema.

Lei sobre internet e política: melhor rasgar

Aprendi ao longo dos anos que a maioria das situações exige menos tolerância do que a cartilha de bons modos costuma pregar. O projeto de lei que nossos parlamentares pretendem enviar ao Congresso sobre campanhas políticas na internet fortalece a lição.

Exercito um pouco mais da minha intolerância diante do texto deixando uma contriubuição para a deputada Manuela D´Avila, que agora está com twitter e blog para discutir pública-e-democraticamente a questão.

E aí, Manu, beleza? Ó: rasguem tudo e recomecem do zero, ok? De preferência com uma noção mais clara do universo, tentando minimamente se basear em modelos que funcionam para evitar o delírio.

Não me alongo, posto aqui que o Fernando Rodrigues analisa todos os pontos com propriedade e reitera a demência. Atenho-me somente a um deles e, intolerantemente, vou ao coração da lei — lei que, aliás, sequer precisa existir, já que a internet não é um mundo paralelo e pode muito bem obedecer as determinações que já foram criadas.

“Art. 57-D É vedado aos provedores de conteúdo e empresas de comunicação social na Internet, nos conteúdos disponibilizados em suas páginas eletrônicas, por eles produzidos ou não:

II - usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular propaganda com esse efeito;”

Vamos ao beabá da internet: o Google é um provedor de conteúdo. Não vou entrar na discussão sobre o site de buscas em si (que também é), vou especificar pra não restar dúvida: o You Tube, do Google, provém conteúdo. Por esse artigo, ninguém poderia fazer um vídeo/sátira de um candidato e disponibilizar no site. Simples assim.

O mesmo valeria para Flickr, Picasa, Twitter e etc ad infinitum. Todos, sem exceção, podem ser chamados de provedores de conteúdo — e a lei especifica bem que esse conteúdo pode ser produzido por eles “ou não”. Ou seja, em época de campanha, o Twitter poderia ser enquadrado por essas duas frases que postei hoje, logo depois de acordar:

Sonhei que estava em uma reunião do PT. Precisei dormir uma hora a mais pra conhecer todos os CCs.

Faz sentido?

Não, não faz.

Rasguem esse projeto.

Eleições no Irã, a Wikipedia explica

Verbete sobre a força paramilitar Basij, aliada à teocracia local e que age nos últimos dias tentando acabar com as manifestações.

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UPDATE: menos de 5 minutos depois que fiz esse print, o “FUCK THEM” foi retirado do ar.

Serei parcial

É impossível saber o número exato de jornais italianos, são muitos os que nascem e morrem todos os anos, diz a tradição empreendedora e de imprensa do país. Há, claramente, os que contam com prestígio e leitores de forma mais ampla: Corriere della Sera, La Repubblica, La Stampa e Il Messaggero, os esportivos Gazzetta dello Sport e Corriere dello Sport e o econômico Il Sole 24 Ore.

A guerra falsamente ideológica cotidiana que diverte quem ainda acredita em esquerda e direita fica polarizada entre Corriere della Sera e La Repubblica. Diferentemente do que acontece no Brasil, são poucos os jornais que pagam de isentos por aqui - o que não significa que sejam santos, mas ao menos não partem da premissa de vender algo impossível (a isenção).

O Corriere, mesmo depois de ter aberto voto à favor de Prodi e da “centro-esquerda” em 2006, é hoje um jornal claramente Berlusconista. O diário milanese é controlado por um grupo de mais de duas dezenas de donos, entre eles, membros da família Agnelli (dona da Fiat), Pirelli, Benetton, bancos e seguradoras. É natural que siga o governo e se preocupe mais em vender carros do que em fazer a revolução.

O posicionamento do romano La Repubblica não é propriamente “de esquerda”, apesar de seu controlador ser identificado com o Partido Democrático (PD). Muito mais do que defender alguma ideologia ou xamanismo, Carlo De Benedetti, controlador do jornal, faz um ataque claro contra Berlusconi, seu inimigo pessoal depois de uma longa disputa judicial na qual De Benedetti perdeu o controle acionário da maior editora de livros do país, a Mondadori, para o grupo Fininvest, do primeiro-ministro.

É briga de bugio, mas tem seu lado positivo: já sei exatamente o que vou encontrar quando abro um ou outro jornal - algo bem mais honesto do que se dizer imparcial, como fazem os jornais brasileiros. Não por que fazer isso (se dizer isento e não ser) faça parte do plano da Midia Má brasileira para a dominação mundial. É questão de atualizar alguns conceitos - a cada dia menos pessoas acreditam em imparcialidade, a cada dia menos pessoas acreditam em esquerda e direita, a cada dia menos pessoas acreditam em deus. O mundo não anda tão mal assim, afinal.

STF derruba exigência de diploma para jornalistas

“O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, 17, que jornalista não precisa ter diploma para exercer a profissão. Por 8 votos a 1, o STF derrubou a exigência do diploma de jornalismo. Essa obrigatoriedade tinha sido imposta por um decreto-lei de 1969, época em que o País era governado pela ditadura militar.”

Considerações 5-minut no twitter:

. Agora que caiu exigência do diploma, todo mundo vai querer ser jornalista pra ganhar milhões.

. As empresas, claro, irão contratar semi-analfabetos para escrever nos jornais (ops, isso algumas já fazem).

. “Agora um padeiro pode roubar o meu emprego?” Se depois de 4 anos na faculdade tu escreve pior do que o padeiro, sim.

. “Mas o padeiro VAI querer roubar o meu emprego?”. Não.

. “Sem diploma nossos salários serão horríveis!”. Claro! O diploma é que garantia o teu salário de marajá, agora fodel!

. Fim da vida mágica nas redações, dos altos salários, da baixa carga horária e da proteção da classe.

. “E agora, a faculdade de jornalismo não serve pra nada?”. Minha filha, é AGORA que serve (ou não, depende dela).

. “E o sindicato dos jornalistas, se tornou obsoleto?”. Pergunta com 30 anos de atraso (mas talvez agora se torne útil).

Quando até o diabo avisa

O regime militar brasileiro teve um desfecho de pior novela, a começar pela escolha dos candidatos. O último presidente, João Figueiredo, odiava os dois, tanto por um lado quanto pelo outro: Paulo Maluf e Tancredo Neves.

Pra decepção do general, nenhum deles assumiu (foi pior). Trancedo morreu e deixou na cadeira José Sarney, que anda atolado até o pescoço na cirandinha paternalista estatal que ele tanto se acostumou a aproveitar.

Figueiredo apertou as botinas, odiava Sarney de morte, e no dia da posse não apareceu - se negava a passar a faixa presidencial ao maranhense, que ele considerava um “impostor”.

Bazooka caseira

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[via La Repubblica]

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